“oxalá cresçam pitangas”

(angola/portugal | 62’ | 2006)



O FILME

Oxalá Cresçam Pitangas revela a realidade por detrás da permanente fantasia luandense. 10 vozes vão expondo com ritmo, dignidade e coerência, um espaço ocupado por várias gerações e dinâmicas sociais complexas. Luanda ainda não havia sido filmada sob esta perspectiva realista e humana: conflitos entre a população e a esfera política, a proliferação do sector informal, as desilusões e as aspirações, o questionamento do espaço urbano e do futuro de uma Angola em acelerado crescimento. 10 personagens falam também das suas vidas, do seu modo de agir sobre a realidade, da música que não pode parar. Aparece uma Luanda onde a imaginação e a felicidade defrontam as manobras de sobrevivência. Onde a Língua é mexida para se adaptar às necessidades criativas de tantas pessoas e tantas linguagens.


Este é um filme sobre uma Luanda que recria constantemente a sua identidade: os dias, as noites e todos os ritmos da cidade que não sabe adormecer. Luanda mistura fenómenos urbanos e rurais. O sector informal, sendo a grande alternativa, agita o país e dinamiza as relações. Os jovens colocam diariamente a imaginação ao serviço da sobrevivência e da felicidade, inventando formas de viver e sobreviver – por necessidade e pelo gosto de se sentirem vivos. Palco de arte, festa e alegria, em Luanda a tristeza e a felicidade convivem com a euforia. Os casamentos são sempre festivos; os funerais nem sempre são tristes. Há um substracto intencional de felicidade nas acções e intenções dos luandenses.


A linguagem falada traduz um modo de pensar mais local e típico. Num português carregado de calões e de adaptações, reflecte-se o modo interventivo de as pessoas agirem sobre a realidade. Nos gestos e nas falas, aparece, pois, a fantasia que acompanha os ritmos do quotidiano. A cidade vive, noite e dia, com música nos lares, nas viaturas, nas ruas. É possível ter uma vivência rítmica do quotidiano pela importância que se dá à música e ao convívio. Com uma visão que acentua a esperança no futuro, Oxalá Cresçam Pitangas é uma viagem pelas pessoas, pelas ruas e pelas histórias de Luanda.


Site: www.kazukuta.com/pitangas


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english subs - https://www.youtube.com/watch?v=En8rugU5KTk

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OS REALIZADORES

Dividindo a produção e a realização do projecto, Ondjaki e Kiluanje Liberdade, nascidos depois da independência de Angola, decidiram juntar preocupações sociais a uma visão estética própria. Se o filme nasce do desejo de questionar Luanda na sua modernidade, há uma busca ainda mais profunda: o que desejam os luandenses para o seu futuro? Que cidade sonham habitar e construir? Como incorporam as adversidades sem perder o sorriso?

Partindo das ocupações e das histórias dos personagens, falando do campo prático, ocupacional, mas passando por memórias e experiências, os realizadores mergulharam nas ambiências positivas de Luanda, deixando a fantasia sobrepôr-se ao sofrimento, sem fugir às verdades sociais. Filmando Luanda a partir de dentro: abordando a vivência, o olhar e a voz daqueles que a frequentam.

Para inventar uma conversa sobre a cidade. Para que novas vozes estéticas, angolanas, possam reinventar e modificar Luanda, Angola.



ONDJAKI

Nascido em Luanda em 1977, licenciado em Sociologia, é ficcionista e poeta.

2005 Assistente de realização no filme “As cartas do Domador”, (Brasil, de Tabajara Ruas)

2005 Direcção e edição dos vídeos “Essa palavra Sonho” (27’) e “Faenas de Amor” (22’).

2004 concepção e roteiros da mini-série “Sede de Viver” (Angola, TPA).

2002 Licenciatura em Sociologia (I.S.C.T.E.), tese de Dissertação na área da Sociologia da Cultura. 1998 guião da curta-metragem “A Canoa”.

LIVROS Actu Sanguíneu (poesia, Menção Honrosa Prémio Literário António Jacinto), Momentos de aqui (contos), O Assobiador (novela), Há Prendisajens com o Xão (poesia), Bom Dia Camaradas (romance), Ynari: a menina das cinco tranças (infanto-juvenil), Quantas Madrugadas Tem a Noite (romance), E se Amanhã o Medo (contos, Prémio Literário Sagrada Esperança).



KILUANJE LIBERDADE

Nascido em Angola, em 1976. Licenciado em Gestão Cultural.

2003 Assistente de Realização e de Imagem do documentário A Favor da Claridade, de Teresa Villaverde.

1998 Co-Realizador do filme Outros Bairros.

1996 Curso profissional de Cinevídeo, Academia de Artes & Tecnologia

1996 Realizador do filme documentário O Rap é uma Arma,

1996. Prémio para a Melhor Primeira Obra no Festival Internacional de Cinema Documental da Malaposta-Amascultura.